"Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração." (I Samel 16:7)
O preconceito contra a tatuagem tem sua origem na Idade Média, quando a Inquisição perseguia brutalmente, prendia e queimava na fogueira qualquer pessoa que portasse uma cicatriz, marcas de nascença, mancha na pele, uma deformidade física qualquer, desenho ou tatuagem, sendo esta acusada de bruxaria e de ter pacto com o demônio.
Hoje em dia, os reflexos dessa perseguição religiosa se revelam na perseguição social, gerando o "pré-conceito" de que aqueles que se tatuam são nocivos à sociedade.
Infelizmente, a história tem mostrado que a Igreja, que através das eras, sempre se propôs a ser uma contra-cultura, lutando contra padrões, valores e ideologias de uma sociedade decadente, no entanto, tem se curvado às tendências políticas e às imposições dessa mesma sociedade a qual tenta se separar, deixando-se desfigurar e perder a força de seu legado profético, se tornando conivente e absolutamente omissa diante de aberrações cometidas por líderes megalomaníacos, injustiças sociais e atrocidades efetuadas por regimes totalitários .
É revoltante ver que a igreja evangélica hoje tenha herdado da Idade Média o preconceito contra a tatuagem e mantenha esse preconceito, tanto contra a tatuagem, como contra quem quer que seja diferente do padrão burguês que a sociedade impôs à igreja e lamentavelmente ela aceitou, ficando amarrada à camisa de força do preconceito que drena o amor e represa sua ação diante do mundo.
Penso que o evangelho de muitos se tornou muitíssimo frágil, quase um paganismo dualista esotérico, por entenderem que uma simples tatuagem venha a ser porta para entrada de demônios. Outros dizem, influenciados por pressupostos da Idade Média, que é a marca da besta. Outros alegam severamente que fazer tatuagens é profanar o templo do Espírito Santo. Essa fragilidade de fé gera um evangelho legalista, que torna a salvação totalmente vulnerável, por entender que pequenas falhas, pecados e deslizes (não considerando aqui que as tatuagens sejam falhas, pecados ou deslizes) são motivos suficientes para levá-las ao inferno, ou no mínimo, motivo para desconfiar da espiritualidade de alguém, pelo simples fato de serem diferentes. Estes que vivem esta fé fragilizada vivem constantemente apavorados por ameaças do inferno, e por conta de não conhecerem a ‘verdadeira’ Palavra de Deus, vivem amedrontados, acuados por demônios e por seus próprios fantasmas interiores.
Quem assim o crê não conhece as fraquezas peculiares dos servos de Deus e suas personalidades diversificadas que estão abertamente registradas nas Escrituras Sagradas, assim não conhecendo a extensão da Graça de Deus e o alcance da Obra de Cristo.
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